Open Finance no Brasil: bilhões de dados por mês e o desafio da velocidade regulatória

O Open Finance brasileiro deixou de ser promessa para se tornar uma das maiores infraestruturas de dados financeiros do mundo. Em 2024, o sistema registrou 11,6 bilhões de chamadas de API por mês, mais que o dobro do ano anterior, segundo dados da InfoMoney. A velocidade impressiona, mas o que realmente importa é o que ela significa: um setor que já opera em tempo real e em escala massiva.

Até maio de 2025, segundo o Finsiders Brasil, 55 milhões de clientes — um terço da população bancarizada — já haviam autorizado o compartilhamento de informações financeiras. Isso não é só adesão em larga escala; é uma mudança estrutural na forma como circulam dados de crédito, investimentos, câmbio, seguros e pagamentos.

O crescimento foi acelerado: entre outubro de 2023 e outubro de 2024, o número de consentimentos ativos saltou de 27 milhões para 37 milhões, um avanço de 35%. O tráfego acompanhou esse movimento: 4 bilhões de chamadas de API por semana, consolidando um ecossistema onde informação circula em velocidade sem precedentes.

A amplitude do modelo brasileiro, reconhecida pelo próprio Banco Central, o torna ainda mais complexo. Ao contrário de mercados pioneiros como Reino Unido e União Europeia, o Brasil desenhou desde o início um Open Finance que integra dados de múltiplos segmentos e se conecta diretamente ao Pix. Essa característica expande os casos de uso, mas também exige monitoramento contínuo de padrões técnicos e normativos — qualquer mudança pode afetar modelos de negócio inteiros.

A análise de uso reforça o tamanho do desafio. Segundo a InfoMoney, 95% dos consentimentos vêm de pessoas físicas, e a concentração é clara: Nubank responde por 47% do tráfego, seguido de Mercado Pago (12%) e Santander (9%). Três conglomerados concentram quase 70% das chamadas, mas bancos tradicionais seguem ativos e disputando espaço. Em 2024, as categorias mais acessadas foram contas correntes (44,5% das chamadas) e cartões de crédito (21,6%), enquanto investimentos deram um salto exponencial — de 22 milhões para 1,47 bilhão de chamadas em apenas um ano.

Nesse cenário, a lição é direta. Mais dados significam maior velocidade, mas também maior risco de obsolescência. A vantagem competitiva não está apenas em ter acesso à informação, mas em ser capaz de monitorar, analisar e agir antes que ela perca relevância. No sistema financeiro — e em qualquer setor regulado — a cadência da informação já define quem consegue liderar.

Fontes: Finsiders Brasil, InfoMoney, Banco Central do Brasil.

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