R$ 150 bilhões: o custo da não conformidade regulatória na indústria brasileira

A perda média registrada equivale a 2,6% da receita líquida da indústria. Em setores de margem estreita, esse percentual define a fronteira entre lucro operacional e prejuízo acumulado. E o problema não é localizado: ele se espalha por toda a cadeia produtiva em função de exigências pulverizadas, prazos curtos, critérios subjetivos e regulação setorial que varia de um ente a outro.

O dado de R$ 150 bilhões ganha ainda mais relevância quando cruzado com outro indicador. Desde a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil editou mais de 7,8 milhões de normas — o equivalente a 860 novas regras por dia útil, das quais 92% são de origem estadual e municipal, segundo o IBPT. Não acompanhar esse nível de fragmentação normativa é operar parcialmente às cegas.

As perdas decorrentes dessa imprevisibilidade regulatória se manifestam em três dimensões. Financeira, quando se traduz em multas, suspensões ou custos de retrabalho. Jurídica, na forma de contencioso administrativo e judicial que poderia ser evitado. E estratégica, quando a empresa perde agilidade competitiva por tomar decisões baseadas em informação incompleta.

É por isso que monitoramento regulatório não deve ser lido como custo, mas como proteção contra prejuízo recorrente. Não por acaso, os dados mais recentes indicam que 51% das empresas brasileiras já utilizam inteligência artificial aplicada ao compliance, 83% das grandes corporações estruturaram áreas de conformidade, mas 59% ainda apontam o acompanhamento de mudanças regulatórias como o maior desafio (EY Global Integrity Report, 2024; LEC & KPMG, 2023).

O cenário é claro: conformidade sustentável não se garante apenas com controles internos. Ela exige um processo sistemático de monitoramento normativo que una tecnologia, análise de risco e inteligência institucional. Em um país que edita centenas de normas por dia, não acompanhar é abrir espaço para perdas financeiras e jurídicas permanentes — e perder competitividade para quem já transformou monitoramento em governança estratégica.

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